A Efetividade do Monitoramento Eletrônico de Custodiados na Reincidência Criminal
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O presente estudo teve como objetivo geral analisar o nível e a efetividade do monitoramento eletrônico de custodiados com uso da tornozeleira na reincidência criminal. Pesquisa exploratória por meio de estudo de caso com dados qualitativos e quantitativos sobre a reincidência de crime entre os presos em flagrante na região da 1ª Companhia do 3º Batalhão da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Levantamento de informações dos presos conduzidos a delegacia em estado de flagrância por cometimento de crime e dados junto à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária – SEAP/RN; analisados segundo estatística descritiva. O monitoramento eletrônico é um método com baixo nível de eficácia quanto a redução da reincidência criminal visto que a pesquisa demonstrou elevado número de evasões do sistema de monitoramento com 30% de custodiados evadidos em 2022. A população de monitorados representa 27% dos 12.436 custodiados no Estado. Observou-se que 57,5% dos flagranteados são reincidentes; 20% dos presos em flagrante são monitorados ou rompem a tornozeleira; 56,6% soltos após a custódia. A audiência e as legislações vieram com o intuito de promover e reduzir a população nos presídios. Desse modo, a tecnologia do monitoramento precisa ser aperfeiçoada juntamente com os processos que permeiam essa medida.
Detalhes do artigo
Edição
Seção

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
O periódico tem direito de exclusividade sobre a primeira publicação, impressa e/ou digital, deste texto acadêmico, o que não afeta os direitos autorais do(s) responsável(eis) pela pesquisa.
A reprodução (integral ou parcial), do material publicado depende da expressa menção a este periódico como origem, mediante citação do volume, número da edição e do link DOI para referência cruzada. Para fins de direitos, deve ser consignada a fonte de publicação original.
A utilização dos resultados aqui publicados em outros veículos de divulgação científica, ainda que pelos autores, depende de expressa indicação deste periódico como meio de publicação original, sob pena de caracterizar situação de auto-plágio.
____________________________________________
Informações adicionais e declarações de autoria
(integridade científica)
Declaração de conflito de interesse: A autoria confirma não haver conflitos de interesse na condução desta pesquisa e escrita deste artigo.
Declaração de autoria: Todos e apenas os pesquisadores que atendem os requisitos de autoria deste artigo são listados como autores; todos os coautores são integralmente responsáveis por este trabalho em sua inteireza.
Declaração de originalidade: A autoria assegura que o texto aqui publicado não foi previamente divulgado em qualquer outro local e que a futura republicação apenas será feita com expressa referência ao local original de publicação; também atesta que não há plágio de material de terceiros ou autoplágio.
____________________________________________
Arquivamento e distribuição
É permitido o arquivamento do PDF final publicado, sem restrições, em qualquer servidor de acesso aberto, indexador, repositório ou página pessoal, a exemplo do Academia.edu e ResearchGate.
Como Citar
Referências
ACHUTTI, Daniel; CARVALHO, Salo. Justiça Restaurativa em Risco: a crítica criminológica ao modelo judicial brasileiro. Sequência (Florianópolis), v. 42, n. 87, p. 1-39, 2021.
ADORNO, Sérgio. Crise no sistema de justiça criminal. Ciência e cultura, v. 54, n. 1, p. 50-51, 2002.
ADORNO, Sergio; PASINATO, Wânia. Violência e impunidade penal: da criminalidade detectada à criminalidade investigada. Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v. 3, n. 7, p. 51-84, 2010.
ANARAKI, Nahid Rahimipour. Prison Gangs in Iran: Between Violence and Safety. Incarceration, v. 2, n. 2, p. 1-14, 2021.
APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004.
AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de; SILVESTRE, Giane; SINHORETTO, Jacqueline. Encarceramento e desencarceramento no Brasil: a audiência de custódia como espaço de disputa. Sociologias, v. 24, p. 264-294, 2022.
BRASIL. Lei nº 12.258, de 15 de junho de 2010. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e a Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 122, n. 1, p. 60, 16 jun. 2010.
______. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988. 62 ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2023.
______. Lei nº 8.072, de 25 de Julho de 1990. Disponível em: https://www.lei-8072-25-julho-1990-372192-publicacaooriginal-1-pl. Acesso: 02 abr. 2023.
______. Lei nº 7210 de 11 de julho de 1984. Lei de execução Penal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 96, n. 1, p. 10227, 13 jul. 1984.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Plataforma de inspeções no socioeducativo é testada por magistrados e magistradas. CNJ, 2021. Disponível em: https://www.cnj. jus.br/nova-plataforma-de-inspecoes-no-socioeducativo-e-testada-por-magistrados- -em-todo-o-pais/. Acesso: 27 mar. 2023.
______. Resolução nº 288, de 25 de junho de 2019. Define a política institucional do Poder Judiciário para a promoção da aplicação de alternativas penais, com enfoque restaurativo, em substituição à privação de liberdade. DJe/CNJ: Brasília, DF, n. 129, p. 4-5, 2 jun. 2021.
______. Resolução nº 213 de 15 de dezembro de 2015. Disponível em: https://www.conjur.com.br/dl/resolucao-audiencias-custodia-cnj.pdf. Acesso: 02 abr. 2023.
DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL (DEPEN). Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias INFOPEN de junho de 2014. Brasília: Ministério da Justiça, 2014. Disponível em: https://www.gov.br/depen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios-e-manuais/relatorios/relatorios-sinteticos/infopen-jun-2014.pdf. Acesso: 06 mar 2023.
DIAS, Paulo Thiago Fernandes; WEDY, Miguel Tedesco. Prisões e Medidas Cautelares no Processo Penal Brasileiro. Florianópolis: Habitus, 2022.
FARIA, Antônio Hot Pereira. Reincidência criminal e criminalidade em série: aspectos conceituais e revisão da literatura. Revista do Instituto Brasileiro de Segurança Pública (RIBSP), v. 3, n. 6, p. 167-185, 2020.
FELIZARDO, Ana Paula Ferreira. Monitoração eletrônica pelo sistema de justiça criminal no Brasil: uma prisão sob medida. 2022. 103f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2022.
FIGLIO, Robert. M; SELLIN, T; WOLFGANG, Marvin. E. Delinquency in a Birth Cohort. Chicago: University of Chicago Press, 1972.
FORUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2020. Disponível em: . Acesso: 03 abr 2023.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
GODOY, Arlida Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de administração de empresas, v. 35, p. 57-63, 1995.
GOMES, Keit Diego; SOUZA, C. I. S. Considerações jurídicas acerca da lei 12.258/2010, e a implantação do monitoramento eletrônico no Brasil. TCC-Direito, v3, n. 1, 2018.
HOLANDA, Leonardo Carneiro. Consequências emocionais, cognitivas e comportamentais da vitimização por roubo. 119f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Fortaleza, 2017.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
______. Técnicas de Pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostras e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
LEÃO, Lourdes Meireles. Metodologia do estudo e pesquisa: facilitando a vida dos estudantes, professores e pesquisadores. Petrópolis: Editora Vozes, 2019.
MAAS, Lucas Wan Der; SANTOS, Roberta Fernandes; SAPORI, Luís Flávio. Fatores sociais determinantes da reincidência criminal no Brasil: o caso de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n 34, p. 1-18 2017.
MADOZ, Wagner Amorim et al. Eficiência x garantias–a utilização de sistema de monitoramento eletrônico de presos (tornozeleira eletrônica). Revista Eletrônica de Direito Penal e Política Criminal, v. 4, n. 2, p. 79-100, 2016.
MALHOTRA, N. Pesquisa de marketing. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
MARIACE, L. D. D. A tornozeleira eletrônica e a controversa contribuição junto ao sistema prisional brasileiro. 39. f. Artigo (Graduação) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Curso de Direito, Goiânia, 2022.
MINAYO, M. C. de S.; SANCHES, O. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Caderno de Saúde Pública, v. 9, n. 3, p. 239-262, 1993.
MIRANDA, Gabriel; PAIVA, Ilana Lemos de. Adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação e facções criminosas. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v. 16, p. 193-218, 2023.
MORAES, Alexandre Rocha Almeida; SANTOS, Christiano Jorge. A população carcerária no brasil: um retrato da impunidade? Revista Jurídica da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, v. 16, n. 2, 2019.
OLIVEIRA, Maria Marly de. Como Fazer Pesquisa Qualitativa. 7. ed. Petrópolis: Vozes. 2018.
ROSA, Alexandre Morais da. Guia compacto do processo penal conforme a teoria dos jogos. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2013.
SCHAFFER, Juliano. Progressão de regime da pena privativa de liberdade com o advento do pacote anticrime. 69. f. Monografia (Graduação) – Centro Universitário UNISOCIESC, Curso de Direito, Blumenal, 2021.
SOUZA, R C M; BARCELLOS, W. S. Prisão, controle social e direitos humanos: algumas notas sobre a segurança. In: BARCELLOS, W. S; DUARTE, M. J. O. Políticas sociais brasileiras em contextos de crise: desafios contemporâneos. Belo Horizonte: EdUEMG, 2020. p. 184-199.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.