A Entrega Vigiada de Vítimas na Convenção de Palermo: um estudo diante da dignidade da pessoa humana
Main Article Content
Abstract
Resumo: A “entrega vigiada” no tráfico e contrabando internacional de pessoas permitida na Convenção de Palermo traz evidente conflito em relação à dignidade humana em decorrência da discricionariedade da autoridade policial. O presente artigo tem por objetivo analisar, diante do permissivo da “entrega vigiada” de vítimas prevista no Protocolo Adicional à Convenção de Palermo, em que medida é necessário que as autoridades permitam o risco à integridade física e/ou sexual de uma ou de algumas vítimas de tráfico e contrabando de pessoas em prol da obtenção de provas ou do melhor momento que justifique o retardamento da ação para o alcance de uma condenação substancial dos envolvidos ou que abranja maior número de delinquentes. Coloca-se o questionamento se a integridade física e a dignidade sexual das vítimas postas em condição de “entrega vigiada” têm recebido primazia em prol da pretensão de colheita da prova. A conclusão aponta no sentido de que as autoridades, ao se utilizarem da “entrega vigiada” de vítimas têm negligenciado a segurança e a dignidade da pessoa em prol da melhor obtenção da prova, não provendo mecanismos efetivos que assegurem a integridade física e moral da pessoa humana durante as investigações de tráfico e contrabando de pessoas.
Article Details
Issue
Section

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
The journal has exclusive rights over the first publication, printed and/or digital, of this academic text, which does not affect the copyright of the person responsible for the research.
The reproduction (in whole or in part) of the published material depends on the express mention of this journal as the origin, by citing the volume, edition number and the DOI link for cross-reference. For rights purposes, the original publication source must be recorded.
The use of the results published here in other vehicles of scientific divulgation, even if by the authors, depends on the express indication of this journal as a means of original publication, under penalty of characterizing a situation of self-plagiarism.
____________________________________________
Additional information and author statements
(scientific integrity)
Declaration of conflict of interest: The author(s) confirm that there are no conflicts of interest in conducting this research and writing this article.
Authorship statement: All and only researchers who meet the authorship requirements for this article are listed as authors; all co-authors are fully responsible for this work in its entirety.
Declaration of originality: The author(s) guarantee that the text published here has not been previously published elsewhere and that future republication will only be made with express reference to the original place of publication; also certifies that there is no plagiarism of third-party material or self-plagiarism.
____________________________________________
Archiving and distribution
The final published PDF can be archived, without restrictions, on any open access server, indexer, repository or personal page, such as Academia.edu and ResearchGate.
How to Cite
References
BARROSO, Luís Roberto, A Dignidade da Pessoa Humana no Direito Constitucional Contemporâneo: Natureza Jurídica, Conteúdos Mínimos e Critérios de Aplicação. Versão provisória para debate público. Mimeografado, dezembro de 2010. Disponível em: http://www.luisrobertobarroso.com.br/?page_id=39. Acesso em: 05.07.2013.
BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 2011.
__________________________. Tratado de Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 2017.
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7ª. .ed. Lisboa: .Almedina, 2008.
DORNELAS, Luciano Ferreira. Manual de combate ao tráfico de Pessoas. Goiânia, Ilumina, 2014.
EUROPEAN COURT OF HUMAN RIGHTS, REPORTS OF JUDGMENTS AND DECISIONS RECUEIL DES ARRÊTS ET DÉCISIONS, 2010-I. Disponível em: http://www.echr.coe.int/Documents/Reports_Recueil_2010-I.pdf. Acesso em 28/05/2016
GEBRIM, Luciana Maibashi; ZACKESKI, Cristina. O problema do consentimento no tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual. Revista Brasileira de Ciências Criminais. vol. 119. ano 24. P. 49-74. São Paulo: Ed. RT, mar-abr.2016
GOMES, Luiz Flávio. Comentários à reforma criminal de 2009 e à Convenção de Viena sobre o direito dos tratados. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009.
LEITE, Gisele. O acesso à justiça como direito fundamental. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XII, n. 70, nov 2009. Disponível em: <http://ambitojuridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6640&revista_caderno=9>. Acesso em abr 2016.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, SECRETARIA NACIONAL DE JUSTIÇA, DEPARTAMENTO DE RECUPERAÇÃO DE ATIVOS E COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERANCIONAL. Manual de Cooperação Jurídica Internacional e Recuperação de Ativos – Matéria Penal. 1. ed. Brasília: [S.N], 2008.
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código Penal interpretado. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 10 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010.
________________________. Curso de Direito Penal: arts. 121 a 212 do Código Penal. Rio de Janeiro: Forense, 2017.
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e direito constitucional internacional. 13ª. ed., rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2012.
SOUZA, MÉRCIA. O tráfico de pessoas na Corte Europeia de Direitos Humanos: Caso Rantsev versus Chipre e Rússia XXIV. Florianópolis: Encontro Nacional do Conpedi/UFS, 2015. Disponível em http://www.conpedi.org.br/publicacoes/c178h0tg/phc1kv31/O9SO40BKFakI5309.pdf. Acesso em 18/05/2016
VARELLA, Marcelo Dias. Direito Internacional público. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014.